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 Ferramentas e Afins

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Branquinho



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MensagemAssunto: Ferramentas e Afins   Dom Jun 21, 2009 3:48 pm

Velha história que herdei da minha infância, não posso deixar de a descrever neste tópico. Talvez alguns se interessem ou talvez não., mas aqui fica e até pode ser retirado, se assim o entenderem, pelos admistradores.

Antigamente compravam-se nas feiras anuais boas enxadas, foices, ancinhos, cutelos, tesouras de poda e uma afinidade de utensílios com os mais diversos tamanhos, pesos e feitios mas todas com os fins no apoio ao trabalho de agricultura e em muitas áreas da natureza onde eram exigidas.
Relembro-me vivamente que cada membro da família possuía a sua própria unidade de ferramentas. Eu entrava na casa das minhas tias e contava as enxadas e as restantes ferramentas dispostas num canto e sempre à mão de semear. Dependuradas numa tábua acima destes artigos ficavam as tesouras da poda e as foices e os pequenos machados encaixados com os bicos entre as folgas das pedras de modo a poderem serem apanhadas pelo cabo.
Cabos artesanais - porque os fabricados à máquina não existiam ainda - de madeiras de boa durabilidade e qualidade, lisos de tanto uso oportuno. Eu ficava sempre com a dúvida de como é que conseguiam manter as pás desses artigos de cavar tão reluzentes, lisos e com um fio totalmente imaculado. Em algumas já notava um desgaste na borda dianteira mais do lado direito do que no esquerdo pelo constante uso.
Lâminas sempre limpas, aços reluzentes, cabos sem calosidades que cada membro da família usava e tinha à sua guarda como um valioso apoio à arte do seu trabalho. Ferramentas que duravam anos a fio nas mãos dos seus proprietários e ainda por lá continuam como sempre desde que eu as observava intrigado.
Com o passar dos anos é que descobri um segredo e se o respeitei na minha juventude não é agora que vou deixar que essa herança que me legaram seja quebrada porque quem quer que seja. O segredo era que cada membro tinha a sua própria ferramenta como tem e é dono dos seus próprios cabelos e só usava essa mesmo sem quaisquer outras excepções. Cada uma tinha sido iniciada pelo seu lustre proprietário, moldada e desgastada pelo uso individual e adaptada tanto à sua força quanto ao seu tamanho.
Mantidas religiosamente dentro de casa, mais particularmente junto da lareira que me diziam ajudar a secar os cabos e evitar que a ferrugem atacasse os metais, tinham sempre o mesmo lugar de arrumo, o mesmo dono, as mesmas mãos calejadas a usá-las nas infinitas tarefas que a terra produtiva exige, e formavam uma fila de uma dúzia de cabos apoiados na parede enegrecida pela fumarenta lareira. Pareciam ter o seu próprio lugar no seio da família, acompanhando almoços, jantares, festas, reuniões, alegrias e tristezas e por certo acompanharam o nascer de um novo membro e o desaparecer dos seus antigos donos. Passaram imaculadas de mão em mão como uma herança única e não como um direito de propriedade ou objecto que possa ser desprezado.
Afiadas à mão com mestria, oleadas com azeite e arrumadas devidamente no seu canto por certo terão mais a contar do que eu e se pudessem falar, provavelmente, nada mais teriam a dizer dos cuidados com que foram tratadas senão grandiosos elogios apesar dos duros trabalhos a que foram submetidas pelas mãos dos seus donos e aos quais obedeceram com dócil humildade. Talvez os seus proprietários tenham julgado que elas possuíam vida e no ponto de vista possuem por certo algo mais do que simples metal.

Mantenha também as suas ferramentas devidamente limpas, afiadas, guardadas como tesouro insubstituível e verá como elas lhe servirão cada dia melhor no desempenho das suas tarefas. Se depende delas no seu trabalho tenha consideração pelo seu uso e total cuidado como se de um familiar se tratasse, sem elas não fará nada e com elas fará o que quiser, para quê desprezá-las e abandoná-las, vota-las ao ostracismo e ao descuidado se fazem parte da sua vida e você da vida delas ?.Cada uma testificará o seu cuidado e reflectirá a sua personalidade e quem de fora as observa poderá julgar o seu dono pelo seu estado e não pelo seu uso. Rolling Eyes
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MARIA JOÃO

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MensagemAssunto: Re: Ferramentas e Afins   Seg Jun 22, 2009 9:10 am

Gostei da história. Revi-me levemente nela com as diferenças obvias, e deu-me em ataque de saudades do passado.
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Branquinho



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MensagemAssunto: Tank You, Merci, Obrigado   Seg Jun 22, 2009 6:07 pm

Ainda bem minha Senhora, porque quem não olha para os erros cometidos no passado está condenado a repeti-los no futuro.

flores
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Branquinho



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MensagemAssunto: Edição para Ler   Qua Jun 24, 2009 9:03 pm

Ah. Se a Senhora gosta de se rever no passado e gosta de ler textos originais pode observar os meus escritos em: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.] se não conseguir aceder a uma ligação a partir daqui mesmo - porque o nome já tem a ligação feita e basta clicar opte então por encontrar qualquer tópico onde veja o meu nome Branquinho e clicando nele vai ser encaminhada para o meu perfil.
Seguindo o mesmo vai achar a ligação à Internet. Clique ai onde diz WWW e deve começar de imediato a ligação.

Boa leitura e acompanhe a evolução do que escrevo e a mesma sorte desejo ao outros membros que seguirem estes passos. O mesmo blog de minha autoria faz ligação a este nosso "Conhecer as Plantas" e a outros da região onde ando onde pode observar fotos, filmes, cenas antigas e modernas da região. Aceito, pois, criticas, comentários, ideias, histórias, fotos e até poemas.

flores
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faruk



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MensagemAssunto: adorei o texto, como sempre vive na cidade grande nao tinha nocao alguma de como e a vida no campo.adorei mesmo   Dom Maio 02, 2010 6:24 pm

Branquinho escreveu:
Velha história que herdei da minha infância, não posso deixar de a descrever neste tópico. Talvez alguns se interessem ou talvez não., mas aqui fica e até pode ser retirado, se assim o entenderem, pelos admistradores.

Antigamente compravam-se nas feiras anuais boas enxadas, foices, ancinhos, cutelos, tesouras de poda e uma afinidade de utensílios com os mais diversos tamanhos, pesos e feitios mas todas com os fins no apoio ao trabalho de agricultura e em muitas áreas da natureza onde eram exigidas.
Relembro-me vivamente que cada membro da família possuía a sua própria unidade de ferramentas. Eu entrava na casa das minhas tias e contava as enxadas e as restantes ferramentas dispostas num canto e sempre à mão de semear. Dependuradas numa tábua acima destes artigos ficavam as tesouras da poda e as foices e os pequenos machados encaixados com os bicos entre as folgas das pedras de modo a poderem serem apanhadas pelo cabo.
Cabos artesanais - porque os fabricados à máquina não existiam ainda - de madeiras de boa durabilidade e qualidade, lisos de tanto uso oportuno. Eu ficava sempre com a dúvida de como é que conseguiam manter as pás desses artigos de cavar tão reluzentes, lisos e com um fio totalmente imaculado. Em algumas já notava um desgaste na borda dianteira mais do lado direito do que no esquerdo pelo constante uso.
Lâminas sempre limpas, aços reluzentes, cabos sem calosidades que cada membro da família usava e tinha à sua guarda como um valioso apoio à arte do seu trabalho. Ferramentas que duravam anos a fio nas mãos dos seus proprietários e ainda por lá continuam como sempre desde que eu as observava intrigado.
Com o passar dos anos é que descobri um segredo e se o respeitei na minha juventude não é agora que vou deixar que essa herança que me legaram seja quebrada porque quem quer que seja. O segredo era que cada membro tinha a sua própria ferramenta como tem e é dono dos seus próprios cabelos e só usava essa mesmo sem quaisquer outras excepções. Cada uma tinha sido iniciada pelo seu lustre proprietário, moldada e desgastada pelo uso individual e adaptada tanto à sua força quanto ao seu tamanho.
Mantidas religiosamente dentro de casa, mais particularmente junto da lareira que me diziam ajudar a secar os cabos e evitar que a ferrugem atacasse os metais, tinham sempre o mesmo lugar de arrumo, o mesmo dono, as mesmas mãos calejadas a usá-las nas infinitas tarefas que a terra produtiva exige, e formavam uma fila de uma dúzia de cabos apoiados na parede enegrecida pela fumarenta lareira. Pareciam ter o seu próprio lugar no seio da família, acompanhando almoços, jantares, festas, reuniões, alegrias e tristezas e por certo acompanharam o nascer de um novo membro e o desaparecer dos seus antigos donos. Passaram imaculadas de mão em mão como uma herança única e não como um direito de propriedade ou objecto que possa ser desprezado.
Afiadas à mão com mestria, oleadas com azeite e arrumadas devidamente no seu canto por certo terão mais a contar do que eu e se pudessem falar, provavelmente, nada mais teriam a dizer dos cuidados com que foram tratadas senão grandiosos elogios apesar dos duros trabalhos a que foram submetidas pelas mãos dos seus donos e aos quais obedeceram com dócil humildade. Talvez os seus proprietários tenham julgado que elas possuíam vida e no ponto de vista possuem por certo algo mais do que simples metal.

Mantenha também as suas ferramentas devidamente limpas, afiadas, guardadas como tesouro insubstituível e verá como elas lhe servirão cada dia melhor no desempenho das suas tarefas. Se depende delas no seu trabalho tenha consideração pelo seu uso e total cuidado como se de um familiar se tratasse, sem elas não fará nada e com elas fará o que quiser, para quê desprezá-las e abandoná-las, vota-las ao ostracismo e ao descuidado se fazem parte da sua vida e você da vida delas ?.Cada uma testificará o seu cuidado e reflectirá a sua personalidade e quem de fora as observa poderá julgar o seu dono pelo seu estado e não pelo seu uso. Rolling Eyes
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